quarta-feira, 20 de abril de 2011

Amazonas recupera autonomia sobre energia

O ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, recebeu ontem de “presente” o jornal A CRÍTICA, da última segunda-feira, que trazia como manchete a cirurgia realizada, às escuras, na maternidade Nazira Daou, bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus. A entrega do exemplar do jornal amazonense, no dia em que comemorava 62 anos de existência, fez parte da pressão política que seis senadores das Regiões Norte e Nordeste fizeram no Ministério de Minas e Energia (MME) para que a gestão das distribuidoras de energia elétrica nos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Alagoas e Piauí, volte a ter autonomia administrativa. Desde 2008, a Eletrobras transformou as empresas de energia desses Estados em uma holding com sede no Rio de Janeiro.
A pressão funcionou. O ministro Lobão, que durante todos esses anos vem relutando em admitir o problema e a escutar as reivindicações dos parlamentares da Amazônia e nordestinos, atendeu ao apelo. Em 30 dias, garantiu criar diretorias das distribuidoras do sistema elétrico nos seis Estados para melhorar a gestão e combater o desperdício de energia que chega a mais de 40% contra a média nacional de 11%. “As distribuidoras são deficitárias para o Governo Federal,  mas o momento é olhar para frente. Por isso, vamos fazer alteração na direção do Rio de Janeiro e criar diretorias nos locais em 30 dias. Somos sensíveis às reivindicações e continuaremos investindo dinheiro para resolver os problemas nesses Estados”, disse Edson Lobão.
Articuladora da audiência e uma das mais críticas à centralização administrativa da Eletrobrás, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) disse que os seis Estados apresentam problemas similares de apagão. “Demonstramos ao ministro que o problema do Amazonas não é inadimplência, mas a ineficiência de gestão e a falta de autonomia”, disse a senadora.
Com base em relatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Anéis), o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) reforçou a necessidade de as distribuidoras dos Estados terem autonomia administrativa. “O número de interrupção na região é de 47,7% contra uma média nacional de 11%”, lembrou.
O senador Wellington Dias (PT-PI) disse que a gestão centralizada no Rio era uma preocupação constante dos parlamentares e comemorou a decisão do ministro. O senador Ivo Cassol (PP-RO) também elogiou a sensibilidade do ministro Lobão e espera que com mais autonomia Rondônia resolva os problemas de distribuição.
“A situação do Amazonas não é diferente de Rondônia, temos apagão generalizado. Qualquer decisão tem que passar pela burocracia da diretoria no Rio de Janeiro”, criticou. Também participaram da audiência com o ministro Edson Lobão, os senadores Valdir Rap (PMDB-RO), Benedito Lyra (PP-AL) e deputados federais das Regiões Norte e Nordeste.

Fonte: A Crítica

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