segunda-feira, 30 de abril de 2012

Secretário de Estado da Energia promete cortar rendas a todos os produtores de eletricidade

O secretário de Estado da Energia, Artur Trindade, garantiu hoje que vai "reduzir as remunerações em todas as formas do sistema electroduto, realçando que «o sistema tal como existe não é sustentável".

Na comissão de Economia e Obras Públicas, naquela que é a sua primeira intervenção pública desde que assumiu o cargo, a 13 de Março, Artur Trindade defendeu que "todas as formas de geração de energia devem contribuir para um esforço geral realizado por todos os portugueses".

"O meu objectivo é pôr a energia ao serviço das famílias e das pessoas, ao contrário do que estava definido em diplomas legislativos que o que fazem é por as famílias e as empresas ao serviço das produtoras [de eletricidade", declarou.

Na comissão, que antes tinha ouvido o seu antecessor na secretaria de Estado da Energia, Artur Trindade garantiu que a redução das remunerações às produtoras de eletricidade "é uma prioridade".

Artur Trindade, que, trocou a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) pelo Governo, disse que as referidas rendas «subiram de forma vertiginosa, sobretudo desde meados da década passada, ao ritmo de 300 milhões de euros por ano, tendo atingido o pico máximo em 2011.

"Este Governo foi o único que não contribuiu para o aumento dos custos e vai ser o primeiro a ficar na história por causa da redução dos custos", garantiu.

Pelas suas funções no regulador do mercado, Artur Trindade disse aos deputados que "conhece de cor» os números relativos às rendas às produtoras de electricidade, lembrando que «os custos têm subido quando a tarifa cobrada aos clientes não cresce ao mesmo ritmo".

Ainda assim, advertiu, que "quando o Governo negoceia em nome do interesse público, é importante que use, sempre que pode, o calendário que tem à sua disposição, e que envolva todos os ‘players’ do sector".

"Não se deve ter pressa nem precipitação, porque estas empresas têm grande capacidade de negociação e é normalmente nos detalhes que algumas empresas saem beneficiadas", acrescentou.

Artur Trindade adiantou que é sua intenção que as alterações às rendas entrem em vigor em simultâneo.

Fontes: SOL

Resíduos da cana poderiam gerar mais energia do que a Usina de Itaipu

Os resíduos secos do cultivo de cana-de-açúcar no Brasil poderiam gerar mais energia do que a potência instalada da Usina de Itaipu. De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos: Diagnóstico dos Resíduos Urbanos, Agrosilvopastoris e a Questão dos Catadores - clique aqui para baixar o estudo -, divulgado no dia 25 de abril de 2012, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o uso desses resíduos poderiam gerar 16.464 megawatts por ano.

O levantamento mostra que, entre 13 culturas agrícolas pesquisadas, a cana-de-açúcar foi a que gerou maior volume de resíduos, 201 milhões de toneladas por ano, incluindo subprodutos como o bagaço que tem alto potencial energético e vinhaça com melhor aproveitamento como adubo na própria plantação.

O setor já é considerado autossuficiente em termos energéticos, atendendo a mais de 98% da sua própria demanda de energia. Segundo o Ipea, ainda existe grande potencial para geração de excedentes energéticos que ainda é muito pouco utilizado.

"Para viabilizar uma maior disponibilização dessa energia para a rede elétrica, entretanto, será necessário vencer várias barreiras de ordem técnica, econômica e regulatória, sendo necessários mais incentivos econômicos para motivar os investimentos do setor privado nessa área", destacou o documento.

Além do potencial energético, a queima do bagaço também soluciona o problema de destinação desse resíduo, que é muito volumoso e de difícil transporte. O Ipea analisou o potencial energético apenas dos cultivos secos, como o de cana-de-açúcar, milho e soja, desconsiderando as culturas de banana, laranja e uva.

"O aproveitamento desses resíduos, além de evitar potenciais impactos negativos causados pelo descarte inadequado no ambiente, pode gerar muitos benefícios econômicos para o país", destacou o estudo.

Os resíduos da agricultura, pecuária e florestas também poderiam atender às necessidades de energia elétrica do setor e ainda ser comercializada no mercado. De acordo com o levantamento, na pecuária, as criações de bovinos, suínos e aves geram cerca de 1,7 bilhão de toneladas de dejetos por ano. Desse total, 365 milhões de toneladas de dejetos são produzidas a partir de criações confinadas, que poderiam virar energia reduzindo os impactos sobre o meio ambiente. A criação de bovinos responde por quase 90% deste volume.

Fontes: AGROSOFT BRASIL

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Japão pode reabrir reatores nucleares por falta de energia

O Japão estuda reabrir os reatores nucleares da central de Oi, na província de Fukui, perante o temor de haver falta de energia elétrica durante o próximo verão devido à crise nuclear de Fukushima, informou neste sábado (14/04) o diário Nikkei.

"Enfrentaremos severos cortes elétricos" se não houver esta reabertura em Oi, afirmou o ministro da Indústria, Yukio Edano, depois de o acidente nuclear de Fukushima ter deixado o país com apenas um reator ativo dos 54 com os quais o Japão contava.

Segundo Edano, a reativação das unidades 3 e 4 de Oi, os primeiros do país a terem passado por testes de resistência, é vital para garantir a provisão durante o verão, um período no qual a demanda elétrica alcança o seu máximo.

Em uma reunião mantida nesta sexta-feira (13) com a participação do primeiro-ministro do Japão, Yoshihiko Noda, do ministro porta-voz, Osamu Fujimura, e do ministro encarregado de política nuclear, Goshi Hosono, foi revisada com a operadora de Oi, a Kansai Electric, a situação das unidades e sua capacidade.

Após o encontro, todos concordaram na necessidade de restabelecer os reatores em Oi por considerar que são seguros e necessários para oferecer uma provisão elétrica estável na próxima estação.

Para poder retomar suas atividades, todas as unidades têm de passar por testes de resistência impostas pelo governo e obter o sinal verde das administrações locais.

Por isso, Edano se deslocará neste sábado a Fukui para tentar convencer as autoridades regionais a darem seu consentimento para a reabertura dos reatores.

Fontes: Opera Mundi

Brasil é o 10º país que mais investe em energia limpa, diz relatório

Um relatório divulgado na quarta-feira, 11, pelo instituto americano Pew indica que o Brasil é o décimo país que mais investe em energia limpa, tendo direcionado US$ 8 bilhões para o desenvolvimento da produção alternativa - um aumento de 15% em relação a 2010. O documento ainda aponta que o País registrou a terceira maior taxa de crescimento no setor nos últimos cinco anos entre os países do G20.

O documento, intitulado Who is Winning the Clean Energy Race (Quem Está Ganhando a Corrida da Energia Limpa, em tradução livre), destacou os investimentos do Brasil em energia eólica, superando a produção de 1 gigawatt em 2011, suficiente para abastecer 750 mil casas. O setor ainda deve se desenvolver nos próximos anos, segundo o Pew.

Em âmbito global, o ano passado registrou recorde no investimento em energias limpas. Foram US$ 263 bilhões, um aumento de 6,5% comparado a 2010. A fonte de produção que mais cresceu foi a solar - 44%, atraindo US$ 128 bilhões em investimentos e respondendo por mais da metade da energia limpa produzida pelo G20. A queda dos preços nos últimos doze meses foi a maior responsável pelo crescimento.

No total, a capacidade de produção de energia limpa foi ampliada em 83,5 gigawatts em todo o mundo no ano passado, sendo 30 gigawatts de energia solar e 43 gigawatts de energia eólica. O mundo consegue produzir agora 565 gigawatts de energia limpa.

Nas Américas, o Brasil está apenas atrás dos Estados Unidos, que retomaram o primeiro lugar do ranking da China, líder no último biênio. Os americanos investiram US$ 48 bilhões em energias limpas no ano passado, um aumento de 44% comparado a 2010. O Canadá, outro país americano listado, é o 11º.

'O investimento em energias limpas, sem contar pesquisa e desenvolvimento, cresceu 600% desde 2004, com base nas políticas nacionais que criaram estabilidade no mercado', disse Phyllis Cuttino, diretor do programa de energia limpa do Pew. 'Esse aumento é significante porque significa inovação, comercialização e instalação de tecnologias que criam oportunidades para todos os setores do mercado', completa.

Completam o ranking China (US$ 45.5 bilhões), Alemanha (US$ 30.6 bilhões), Itália (US$ 28 bilhões), os outros países da zona do euro (US$ 11,1 bilhões), Índia (US$ 10.2 bilhões), Grã-Bretanha (US$ 9.4 bilhões), Japão (US$ 8,6 bilhões) e Espanha (US$ 8,6 bilhões).

Fontes: 24 Horas News

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Energia nuclear: entre a necessidade e o risco

O Sistema Interligado Nacional (SIN) do Brasil só é comparável em tamanho ao da Europa e deriva da opção pela energia hidrelétrica, de proporção única no Planeta: 79,4%. Mas, se por um lado o País se orgulha de produzir energia emitindo menos Gases Geradores de Efeito Estufa que a maioria das grandes nações desenvolvidas, vive o dilema de depender do clima para garantir a produção e o desenvolvimento do País, que depende de um uso crescente de energia.

Em 2001 nós vivemos um apagão que acendeu uma luz vermelha sobre a cabeça dos gestores do sistema e promoveu uma mudanças de planos que se debruça sobre as usinas térmicas. Sejam elas a combustíveis fósseis, como o gás natural e o carvão, sejam a combustível nuclear (urânio), elas não dependem da natureza para produzir.

Esse é o principal argumento para a projeção do governo de colocar em operação a usina nuclear de Angra 3 até 2015 e expandir a oferta em quatro mil megawatts com a construção de mais quatro usinas (duas no Nordeste e duas no Sudeste) até 2030. Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff sancionou o Plano Plurianual de 2012 a 2015, no qual essa expansão nuclear pós Angra 3 está prevista.

As informações são confirmadas por Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear e membro permanente da Assessoria da Agência internacional de Energia Atômica. "Toda fonte renovável sofre um maior ou menor grau de sazonalidade.

A hidreletricidade, sob esse ponto de vista, é a melhor delas porque tem uma sazonalidade de longo prazo. Em outras renováveis, como a solar, a sazonalidade é o ciclo diário, de 24 horas", explica.

Leonam destaca que há diferentes ciclos de sazonalidade: hidráulica (bianual), biomassa (anual) e eólica (depende do local; e a compensação térmica pode ser necessária todo ano e o ano todo, o que a nuclear atende melhor; necessária todo ano, mas não o ano todo, melhor suprida pela térmica a gás; e eventualmente necessária, para curtos períodos, cuja melhor solução está nos derivados de petróleo. "Uma coisa não compete com a outra. São papéis diferentes", afirma. Segundo ele, são necessários até 8 mil megawatts complementares (térmicos) para garantir a segurança do SIN.

Leonam argumenta que o acidente de Fukushima demonstrou a segurança das instalações nucleares, já que o Japão foi afetado por uma catástrofe natural na qual morreram 15 mil pessoas; foram afetadas 14 usinas nucleares, quatro tiveram acidentes, três liberaram material radioativo e não houve nenhum morto por efeito de radiação.

O Ceará tem dois médios empreendimentos térmicos. A Termoceará, pertencente à Petrobras, a e Termelétrica Fortaleza, ambas movidas a gás natural. Possuem juntas cerca de 560 MW de potência instalada.

Com a entrada em funcionamento, ainda neste ano, de duas usinas da MPX, empresa do bilionário Eike Batista, essa capacidade de produção será praticamente triplicada.

A Energia Pecém, uma parceria da MPX com a EDP, terá capacidade de gerar 720 MW de energia. Possui contrato de venda da ordem de 615 MW médios.

Isso garante uma receita fixa de R$ 261,3 milhões. Já a UTE Pecém II terá capacidade de gerar energia um pouco menor, de 365 MW. Já possui contratos de venda de energia de 276MW médios. Isso, no entanto, permitirá receita fixa de R$ 248 milhões a partir de 2013. A perspectiva é de que ambas entrem em operação neste ano.

Foram investidos nas duas usinas um total de R$ 4,1 bilhões, sendo R$ 2,7 da MPX. A previsão é que sejam gerados 6,5 mil empregos diretos e que ocorra um incremento de 90% na produção de energia do Ceará.

Fontes: Diário do Nordeste

Redução na conta de energia de 2012 deverá ser de 6,17%

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou ontem a revisão tarifária da Companhia Energética do Ceará (Coelce), definindo uma redução média de 10,89% na conta de energia. No entanto, o impacto final sobre as tarifas só será conhecido oficialmente na próxima terça-feira. A estimativa da Agência é de que o decréscimo médio ao consumidor, considerando o reajuste, fique em torno de 6,17%.

Isto porque, conforme explica o diretor da Aneel, André Pepitone, como a revisão tarifária prevista para abril de 2011 não ocorreu naquele período, uma variação na conta de luz, neste ano, só acontecerá após a aplicação do reajuste tarifário anual de 2012, para que seja determinado, então, o quanto de fato incidirá sobre as tarifas.

A expectativa do diretor da Agência é de que o reajuste anual seja de 4,72%. Desse modo, complementa, a Aneel calcula que a variação média final (juntando revisão tarifária e reajuste), ou seja, a que deve pesar no bolso do consumidor, corresponderá a uma redução média de 6,17% no valor da conta.

Segundo André Pepitone, a não realização da revisão tarifária no último ano resultou em um "crédito" de aproximadamente R$ 300 milhões para o consumidor. Os 300 milhões se referem à diferença entre receita que a Coelce obteve entre abril de 2011 e março de 2012 e a receita que ela deveria ter obtido, nesse período, caso a revisão tarifária tivesse sido aprovada no último ano.

De acordo com Pepitone, o montante será descontado da conta dos consumidores, mas de forma escalonada, estendendo-se até o fim do ciclo de revisão tarifária, em 2015. Segundo o diretor, o fato de a queda se dar de forma escalonada tem como meta evitar mudanças bruscas na conta de energia dos cearenses. Ele explica que, caso os R$ 300 milhões fossem descontados entre abril de 2012 e março de 2013, haveria uma redução de aproximadamente 15% na conta de energia. Entretanto, ressalta, em abril de 2013, quando fosse feito o reajuste tarifário, poderia haver um acréscimo em torno de 17% no valor da conta, já que não haveria mais o desconto referente aos R$ 300 milhões.

"Não faz muito sentido reduzir só agora. O consumidor teria uma redução grande, mas depois teria um aumento muito grande na conta".

Entre os itens da revisão tarifária aprovada ontem, a variação para o setor rural atendido em baixa tensão sofreu uma variação negativa expressiva se comparada à previsão inicial da Aneel. Antes, a expectativa da Agência era que o setor fosse o único que tivesse um acréscimo no valor da conta após a revisão.

De acordo com o diretor, o aumento se deve à intenção da Aneel de que, em todas as concessionárias do País, o valor da conta dos setores rurais em baixa tensão seja 30% menor do que o setor residencial. No caso do Ceará, indica, a diferença entre as duas tarifas era de 40%.

Por esse motivo, diz, estava previsto inicialmente um aumento, mas, devido aos apelos feitos por representantes do meio rural em audiência pública no início do mês, a Aneel decidiu tornar mais lenta a mudança da tarifa rural, que será ampliada gradualmente, até o final do ciclo de revisão tarifária.

O vice-presidente do Conselho de Consumidores da Coelce, Erildo Pontes, disse que a entidade recebeu "com alegria" a notícia de que o pedido apresentado na última audiência, foi, ao menos até agora, atendido.

André Pepitone afirmou ainda que a Aneel atendeu a outro apelo que lhe foi feito - que os lucros obtidos no programa Coelce Plus - R$ 22,57 milhões -, considerado irregular pela Agência, fossem convertidos integralmente em modicidade tarifária. A perspectiva inicial era de que apenas metade do total fosse devolvido aos consumidores.
O deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE), referiu-se ao índice 10,89% da revisão tarifária como uma "vitória dos consumidores". De acordo com o parlamentar, ainda que com um ano de atraso, a revisão tarifária sinaliza que a Aneel tem "mudado seu papel" e ouvido aqueles que alertam sobre os reajustes do preço da energia.


Fontes: Diário do Nordeste

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Energia solar mais acessível em até cinco anos

Quando falta energia elétrica e o breu se faz presente em todas as ruas e casas do bairro de Jardim Jordão, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, existe uma luz que permanece acesa na morada simples de Josué Cipriano e seus vizinhos de parede. “Se todo mundo soubesse aproveitar a energia que vem do sol, ninguém ficaria na escuridão; nunca mais”, ensina o comerciante que, nas horas vagas, se transforma em inventor no melhor estilo “Professor Pardal”, com diversas aplicações de placas fotovoltaicas para gerar energia e facilitar o dia a dia do ser humano, sem agredir o meio ambiente, como faz questão de frisar. Com a ajuda dos amigos, fez instalações em bicicletas, carrinho de sorvete, postes e até barcos. Tudo movido à energia solar. As experiências, batizadas de projeto Gira-Sol, são realizadas com recursos próprios, mas, aos poucos, já começam a chamar a atenção de órgãos públicos e prefeituras. “Já fizemos algumas exposições em zoológico, feiras da Secretaria de Meio Ambiente de Ipojuca (cidade também do Grande Recife) e, recentemente, fornecemos dois barcos ao Espaço Ciência, no Recife”, enumera, com orgulho. Assim como o sol, ideias não faltam para Josué. Porém ainda é preciso investimento financeiro para acompanhar a capacidade criativa e o bolso do grupo. “Gastamos nosso dinheiro nisso porque acreditamos que estamos construindo algo importante para a sociedade. E, se não fazemos mais, ainda é porque as placas são muito caras”.

E são mesmo. Uma placa fotovoltaica custa, em média, R$ 1.500. Para abastecer uma residência com quatro pessoas, seriam necessárias, pelo menos, 10 placas. Com os custos de instalação, baterias e inversor, um sistema isolado de energia solar para produção de energia elétrica sai em torno de R$ 30 mil. “A tecnologia ainda é muito cara, e o consumidor demora a receber de volta o investimento, que se paga em dez anos”, explica Carlos Salviano, da Salviano Engenharia, empresa que atua no setor. Não é à toa que o maior uso do potencial de energia solar no mercado doméstico é para aquecimento de água. “Hotéis, condomínios e residências de alto padrão são clientes frequentes. Deixam de consumir energia elétrica dos chuveiros e das torneiras e, em pouco tempo, desfrutam de uma economia de 20% a 30% na conta de luz”. Atualmente, o custo do sistema de aquecimento solar da água para uma casa com quatro pessoas e dois chuveiros, por exemplo, fica por R$ 3 mil e se paga em dois anos ou menos, dependendo da intensidade do uso. “Quanto mais se usa, mais rápido percebe o retorno do investimento”, ressalta Salviano, que estima um crescimento anual de 20% a 25% da procura por esse tipo de serviço.

As construtoras também já começam a enxergar os benefícios, passando a incorporar nos projetos aplicação de energia solar para água de banho, entre outras ações de sustentabilidade e eficiência energética. É o caso do condomínio Morada da Península, situado na Reserva do Paiva, Cabo de Santo Agostinho. Todas as 66 casas de alto padrão, além do clube e áreas comuns de lazer, utilizam painel de energia solar para aquecimento da água dos chuveiros e torneiras. “Houve uma boa aceitação do mercado. É uma tendência não só por parte dos clientes, mas dos empreendedores, que seria acentuada com incentivo fiscal”, destaca o diretor de Incorporação da Odebrecht Realizações Imobiliárias em Pernambuco, Luis Henrique Oliveira. Segundo ele, a sustentabilidade nos empreendimentos imobiliários ainda é um desafio porque não existem incentivos para aplicar esses dispositivos no mercado, encarecendo de 5% a 8% o custo total da obra. “Os empreendedores têm um custo a mais, e o benefício vai para o cliente, que não quer pagar por isso. Mas é bom para cidade e para as gerações futuras”.


Foi pensando no meio ambiente e na economia na conta de energia elétrica que o casal Lauro Castelo Branco e Ana Lúcia Miranda aceitou, assim como os demais vizinhos, a proposta da construtora de utilizar placas solares e boilers no prédio de classe média onde moram, na Madalena, Zona Oeste do Recife. Cada família dos 56 apartamentos pagou R$ 5 mil para fazer a instalação, ainda no início de construção do prédio, em 2004. “Em um ano e meio de uso, já foi possível perceber a economia de quase R$ 100 por mês na conta de luz”, afirma Lauro, que é síndico do edifício. “A água chega nas torneiras e nos chuveiros bem quente e é necessário fazer o controle com água fria para baixar a temperatura. No mais, é só controlar o tempo do banho dos filhos, sem esquecer de economizar água também”, completa Ana Lúcia, mãe de dois adolescentes.


À noite, a água fornecida ainda é morna. “Nos dias muito chuvosos ou no período do inverno, acionamos o aquecedor a gás natural, mas é apenas como apoio. Voltando o sol, automaticamente o fornecimento de gás é interrompido”, explica Jonas Bezerra, representante da Solar Tech, empresa responsável pela instalação e manutenção do sistema no prédio e em mais outros três na cidade. Para o diretor da construtora AC Cruz, André Callou, a demanda espontânea do consumidor para o uso de energia solar ainda não existe. “Se mais empresas apresentarem essas ofertas, vai despertar o interesse dos clientes, mas é importante também ter no mercado um maior número de fornecedores e empresas com capacidade de atender volumes”.

A expectativa é de que, assim como aconteceu com o estabelecimento da indústria de energia eólica, Pernambuco também consiga atrair investimentos para o avanço da energia solar no Estado. Especialistas esperam uma mudança substancial do cenário nos próximos anos. “Os custos da solar estão baixando com relativa rapidez. O preço está caindo muito. Espera-se que a competitividade da energia solar para a geração de energia elétrica seja uma realidade nos próximos cinco anos, está muito próximo”, salienta o professor e pesquisador do Centro de Energias Renováveis (CER) da Universidade Federal de Pernambuco Chigueru Tiba.

Na área da pesquisa, o tema também avança. De acordo com o professor, que coordenou a publicação do Atlas Solarimétrico do Brasil - Banco de Dados Terrestres -, o programa de pesquisa e desenvolvimento estratégico da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é um marco de virada para o setor. A iniciativa, chamada de “Arranjos técnicos e comerciais para a inserção da geração fotovoltaica na matriz energética brasileira” e lançada em outubro de 2011, engloba 18 projetos que somam 24,5 MW de potência e investimento de R$ 395,9 milhões. Um deles é a recém-anunciada usina solar na Arena Pernambuco, em São Lourenço da Mata, Grande Recife.

O Brasil é um dos países com maiores níveis de radiação solar do mundo. Isso porque a maior parte do território brasileiro está localizada na Zona Intertropical, entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio, de forma que não se observam grandes variações na duração solar do dia. No Nordeste, em particular, a diferença entre o inverno e verão é pequena, permitindo uma geração de energia plana, estável. “Se considerarmos o semiárido nordestino, é muito interessante porque não vai competir normalmente no uso e ocupação do solo. Temos baixa densidade de população, alto nível de radiação solar e a possibilidade de gerar emprego e renda na região”, enumera Tiba. A cidade de Petrolina, Sertão do Estado, por exemplo, apresenta de acordo com o Atlas Solarimétrico, potenciais para produção de energia solar comparados aos melhores sítios do mundo, como os da cidade de Dongola, no Sudão, e Dagget, no deserto do Mojave, Estados Unidos.

É em Petrolina onde o grupo de pesquisa de fontes alternativas de energia da UFPE está trabalhando há quatro anos na implantação de uma central termosolar de 1MW. O projeto, coordenado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), entidade ligada à Eletrobrás, em parceria com a Secretaria de Ciência e Tecnologia de Pernambuco (SecTec-PE), está em fase final de tramitação junto ao Finep. “Será o primeiro projeto de grande porte do Estado: a primeira central termosolar do Brasil e talvez até da América Latina, onde estaremos oferecendo um local de pesquisa e experimentação da tecnologia solar”, comemora. A previsão é de que o projeto comece a sair do papel em seis meses e tenha um prazo de três anos para ficar pronto. “Será o local com infraestrutura onde grandes empresas do setor energético poderão testar e experimentar tecnologia industrial, com oficinas e pessoal treinado”. Além disso, a UFPE lançou junto com a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf) um projeto de usina fotovoltaica para produção de 2,5 MW e interligada à rede elétrica. “Com esses dois projetos, a plataforma de energia solar de Pernambuco estará caminhando para a consolidação”, afirma.

Fontes: NE10

Brasil é o 10º maior consumidor mundial de energia elétrica

O Brasil é o décimo maior consumidor mundial de energia elétrica, segundo dados da Agência Internacional de energia (AIE), com sede em Paris. Desde 2001, o consumo de eletricidade no país aumentou quase 38%, acima da média mundial, que foi de 30% no período.

Apesar de significativo, o crescimento do consumo de eletricidade no Brasil ficou bem abaixo das taxas registradas pela China e pela Índia entre 2001 e 2009 (último dado disponível). Nesses dois países, o aumento foi, respectivamente, de 153% e de 64%, de acordo com a AIE.

Os Estados Unidos, a China, a União Europeia e a Índia representam mais de 60% do consumo mundial de eletricidade. O crescente aumento do consumo de energia é uma grande preocupação mundial.

Hora do Planeta
O evento Hora do Planeta, iniciativa da organização ambiental WWF, que prevê que as luzes sejam desligadas em várias cidades do mundo durante uma hora para lutar contra o aquecimento global, tem o objetivo de conscientizar a população mundial em relação ao problema. Nas previsões da AIE, a demanda mundial de energia primária (que existe de forma natural na natureza) deverá aumentar em um terço entre 2010 e 2035.

Até essa data, as emissões de CO2, um dos principais gases que provocam o efeito estufa, deverão crescer 20%, afirma a AIE. Em 2010, a procura mundial por energia primária aumentou 5%, um salto "considerável" na avaliação da agência internacional, que alerta para o fato de que isso provoca novos picos de emisões de dióxido de carbono. Apenas a China e a Índia, diz a agência, deverão ser responsáveis pela metade do crescimento da demanda de energia global até 2035.

Em geral, os países emergentes deverão representar 90% do aumento previsto da demanda global de energia até 2035, segundo a AIE. No Brasil, a demanda de energia primária deverá crescer 78% nesse período. "As taxas de crescimento de consumo de energia na Índia, na Indonésia, no Brasil e no Oriente Médio aumentam a um ritmo ainda mais rápido do que na China", ressalta a AIE em um relatório divulgado no final do ano passado.

Fontes renováveis
Apesar de estar no ranking dos dez maiores consumidores de energia, a AIE ressalta que o Brasil é um dos líderes mundiais na produção de energia hidrelétrica e de biocombustíveis, fontes de energia renováveis. De acordo com a agência, 45% da energia total produzida no Brasil é originária de fontes renováveis, enquanto a média nos países ricos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) é de apenas 8%.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de energia hidrelétrica, atrás da China. As fontes de energias renováveis não hidrelétricas (como a solar e a eólica) na geração de eletricidade em nível mundial ainda representam apenas 3% em 2009.

Mas a agência prevê que essa participação deverá aumentar para 15% em 2035 graças ao aumento dos recursos para desenvolver essas outras fontes, principalmente na União Europeia e na China. Também segundo a agência internacional, 1,3 bilhão de pessoas no mundo ainda não dispõe de eletricidade.

Fontes: Terra