Em 2001 nós vivemos um apagão que acendeu uma luz vermelha sobre a cabeça dos gestores do sistema e promoveu uma mudanças de planos que se debruça sobre as usinas térmicas. Sejam elas a combustíveis fósseis, como o gás natural e o carvão, sejam a combustível nuclear (urânio), elas não dependem da natureza para produzir.
Esse é o principal argumento para a projeção do governo de colocar em operação a usina nuclear de Angra 3 até 2015 e expandir a oferta em quatro mil megawatts com a construção de mais quatro usinas (duas no Nordeste e duas no Sudeste) até 2030. Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff sancionou o Plano Plurianual de 2012 a 2015, no qual essa expansão nuclear pós Angra 3 está prevista.
As informações são confirmadas por Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear e membro permanente da Assessoria da Agência internacional de Energia Atômica. "Toda fonte renovável sofre um maior ou menor grau de sazonalidade.
A hidreletricidade, sob esse ponto de vista, é a melhor delas porque tem uma sazonalidade de longo prazo. Em outras renováveis, como a solar, a sazonalidade é o ciclo diário, de 24 horas", explica.
Leonam destaca que há diferentes ciclos de sazonalidade: hidráulica (bianual), biomassa (anual) e eólica (depende do local; e a compensação térmica pode ser necessária todo ano e o ano todo, o que a nuclear atende melhor; necessária todo ano, mas não o ano todo, melhor suprida pela térmica a gás; e eventualmente necessária, para curtos períodos, cuja melhor solução está nos derivados de petróleo. "Uma coisa não compete com a outra. São papéis diferentes", afirma. Segundo ele, são necessários até 8 mil megawatts complementares (térmicos) para garantir a segurança do SIN.
Leonam argumenta que o acidente de Fukushima demonstrou a segurança das instalações nucleares, já que o Japão foi afetado por uma catástrofe natural na qual morreram 15 mil pessoas; foram afetadas 14 usinas nucleares, quatro tiveram acidentes, três liberaram material radioativo e não houve nenhum morto por efeito de radiação.
O Ceará tem dois médios empreendimentos térmicos. A Termoceará, pertencente à Petrobras, a e Termelétrica Fortaleza, ambas movidas a gás natural. Possuem juntas cerca de 560 MW de potência instalada.
Com a entrada em funcionamento, ainda neste ano, de duas usinas da MPX, empresa do bilionário Eike Batista, essa capacidade de produção será praticamente triplicada.
A Energia Pecém, uma parceria da MPX com a EDP, terá capacidade de gerar 720 MW de energia. Possui contrato de venda da ordem de 615 MW médios.
Isso garante uma receita fixa de R$ 261,3 milhões. Já a UTE Pecém II terá capacidade de gerar energia um pouco menor, de 365 MW. Já possui contratos de venda de energia de 276MW médios. Isso, no entanto, permitirá receita fixa de R$ 248 milhões a partir de 2013. A perspectiva é de que ambas entrem em operação neste ano.
Foram investidos nas duas usinas um total de R$ 4,1 bilhões, sendo R$ 2,7 da MPX. A previsão é que sejam gerados 6,5 mil empregos diretos e que ocorra um incremento de 90% na produção de energia do Ceará.
Fontes: Diário do Nordeste
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