quarta-feira, 25 de julho de 2012

Energia solar é fator chave para a transição energética

A energia solar pode desempenhar um papel central no futuro plano energético da Suíça e substituir parte da energia nuclear. O setor reivindica uma expansão acelerada e mais subsídios. A indústria elétrica aposta em usinas a gás como solução provisória.

Apenas um por cento da eletricidade consumida na Suíça vem da energia solar. Mas os sinais para as novas energias renováveis são de arrancada e inovação.

Assim o grupo RWE, segundo maior fornecedor de energia da Alemanha e até recentemente um dos principais defensores da energia nuclear, perdeu a fé nela e agora quer abandonar também os projetos internacionais de energia atômica. Após o choque de Fukushima, grupo já teve de enterrar seus projetos na Alemanha.

No norte da Europa, surgem gigantescos parques eólicos e o audacioso projeto de energia solar Desertec (nos desertos da África e Oriente Médio) lentamente ganha contornos concretos.

Na Suíça, o Conselho Federal (governo) e o Parlamento decidiram em 2011 não autorizar mais a construção de novas usinas nucleares. Nos próximos meses, o meio político tem de chegar a um acordo sobre as condições básicas e concretizar a transição energética. Está em jogo o futuro plano energético, o caminho até lá, possíveis medidas de economia de energia e o financiamento do abandono da energia nuclear.

“O setor elétrico vai se adaptar ao novo quadro. Isso é certo. Se as condições básicas forem claras e confiáveis, o setor pode fazer os investimentos necessários e as empresas fornecedoras podem realinhar suas estratégias individualmente”, diz Thomas Zwald, diretor da Associação dos Produtores de Energia Elétrica da Suíça (VSE, na sigla em alemão), à swissinfo.ch.

Até agora, a energia solar é um produto de nicho na Suíça. A energia nuclear tem uma participação de cerca de 40%. “Com sistemas fotovoltaicos descentralizados nos telhados das casas, a energia solar poderia chegar a 20% e assim substituir a metade da energia nuclear. Isso sem considerar as possíveis grandes usinas em áreas verdes. A outra metade da energia nuclear poderia ser substituída por um misto de energia eólica, biomassa e, mais tarde, pequenas centrais hidrelétricas e geotermia”, diz Franz Baumgartner, professor de energias renováveis da Escola Superior de Ciências Aplicadas de Zurique.

Sistemas fotovoltaicos descentralizados nos telhados têm a vantagem de provocar menos resistência da população, de ambientalistas e defensores do paisagem, e assim poderem ser construídos mais rapidamente do que grandes instalações como termelétricas a gás, parques eólicos ou grandes usinas de energia solar.

“O tempo necessário para que a energia solar atinja uma cota de 20% depende da velocidade com que se expandem as instalações. A Alemanha elevou ao longo dos últimos dez anos para aproximadamente 13% o uso de novas fontes de energia renovável. Querendo, isso poderia ser tomado como um exemplo brilhante”, diz Baumgartner.

Com base em diversos estudos, o diretor da Associação dos Profissionais da Energia Solar (Swisssolar), David Stickelberger, estima que o potencial sobre os edifícios seja de 30 a 40%. “Realisticamente, calculamos uma quota de 20% até 2025.”

Há consenso entre os fornecedores de energia e a Swisssolar que a energia solar na Suíça tem um potencial ainda longe de ser esgotado. Mas esse consenso acaba quando se toca na questão da rapidez com que a Suíça deve produzir quanta eletricidade a partir da energia solar e quanto isso deve custar.

“É preciso distinguir entre o potencial técnico e econômico. O fato é que os custos de produção de energia solar ainda são muito altos”, diz Thomas Zwald. – “Os recursos para viabilizar tarifas que cubram os custos precisam ser aumentados”, diz Stickelberger: “Pelos nossos modelos de cálculo – ou seja, com uma cota de 20% de energia solar – o preço da eletricidade aumentaria cerca de 10%”.

A questão seria “esgotar este potencial com enormes subsídios – como é o caso na Alemanha – neste curto espaço de tempo” ou, “no interesse da economia”, esperar “que os preços da energia solar gradualmente cheguem aos níveis do mercado”, diz Zwald.

O setor elétrico aposta na construção de usinas a gás como substituto para a energia nuclear. “Trata-se de ver como compensar a perda da banda de energia das usinas nucleares. O caminho passa por usinas a gás, porque as hidrelétricas são pouco expansíveis e uma plena compensação por meio de importações não é politicamente desejável nem realista”, disse Zwald. Dependendo do cenário, os fornecedores de energia calculam que serão necessárias entre quatro e oito dessas centrais a gás.

Porém, as termelétricas a gás queimam combustíveis fósseis, produzem CO2 e, portanto, contradizem o objetivo declarado da Suíça de combater a mudança climática. Mas também a energia solar tem seu lado sombrio. Uma desvantagem da energia solar é – ao contrário da hedrilétrica, a gás ou nuclear – a produção inconstante de eletricidade.

Para compensar as flutuações, no entanto, também há opções e cenários alternativos: o desempenho da energia solar é fraco no inverno, ou seja, quando as turbinas eólicas funcionam a todo vapor no Mar Báltico. Com os excedentes de energia eólica do exterior poderiam ser operadas hidrelétricas com reservatórios no país e, assim, compensada a falta da energia solar.

Pelos conhecimentos atuais, as megausinas solares planejadas no norte da África e sul da Espanha estarão em condições de produzir o ano inteiro energia suficiente para compensar as flutuações.

Por fim, espera-se para os próximos anos avanços decisivos das tecnologias de armazenamento descentralizado de energia solar excedente (baterias).

A produção descentralizada de eletricidade através de sistemas fotovoltaicos exige não só uma expansão das redes, mas também das chamados “smart grids”, ou seja, “redes inteligentes”. Com a ajuda de modernas tecnologias de comunicação, estas poderão controlar a demanda e o consumo de energia com mais precisão do que as atuais redes.

“O setor econômico está consciente de que esses investimentos precisam ser feitos e que a produção descentralizada ganha em importância. É tudo uma questão de velocidade e também de como se pode juntar o capital. Precisa-se de condições atraentes, também para investidores privados, porque serão necessários bilhões para a expansão da produção de energia renovável e das redes”, diz Thomas Zwald.

“Quem quiser ir numa nova direção tem que investir. Não basta continuar cozinhando em banho-maria e gritar “nós fazemos a revolução energética”. Precisa-se investir para depois desfrutar das vantagens”, diz Baumgartner. “A energia sempre foi uma questão política. Também para a energia hidrelétrica inicialmente foram necessários grandes investimentos.”

Fontes: Correios do Brasil

Especialistas discutem energias renováveis

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Embrapa Agroenergia (Brasília-DF) realizam o Seminário sobre Energias Renováveis. Os objetivos são expor o atual estado de uso de fontes renováveis de energia e apontar perspectivas para o desenvolvimento e incremento dessas fontes. Realizado no âmbito dos Diálogos Setoriais Brasil – União Europeia sobre Energias Renováveis, o evento ocorrerá nesta quarta-feira (25/07), em Brasília, das 9h às 18h, no auditório da Embrapa Estudos e Capacitação.

O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Carlos Klink, afirma que o fomento às fontes renováveis de energia é uma das principais estratégias para o combate às mudanças climáticas, ao mesmo tempo em que contribui para o desenvolvimento econômico e social do País em bases ambientalmente sustentáveis.

De acordo com Klink, o Brasil estabeleceu compromisso voluntário de redução das emissões de gases de efeito estufa e o setor de energia deverá participar desse esforço nacional, por meio do fomento às fontes renováveis de energia e do incremento da eficiência energética.

A busca por energias alternativas se tornou estratégica e de fundamental importância para os países, na opinião do chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Agroenergia, José Manuel Cabral. “Há uma crescente demanda por energia e, para garantir suprimento a toda a população mundial, é preciso aumentar consideravelmente o volume disponível”, destaca.

Dependência
Existe uma dependência energética em petróleo e em gás que demanda pesquisa. Por conta do esgotamento dessas fontes, o mundo passou a se organizar na busca por alternativas em energia renovável para compor a matriz energética de cada país. “O Brasil está em vantagem, pois cerca de 46% da matriz de energia primária é renovável, com sua base em energia hidráulica e energia de biomassa, com a lenha, o carvão vegetal e os produtos da cana-de-açúcar”, ressalta Cabral.

Quanto à matriz de energia elétrica, a participação de fontes renováveis ultrapassa os 90%, fortemente baseada em hidreletricidade. “A fonte eólica começa a aparecer na matriz, representando atualmente cerca de 0,5% da matriz elétrica”, afirma a diretora de Licenciamento e Avaliação Ambiente do MMA, Ana Dolabella.

No seminário, também será abordada a energia solar. No painel de abertura, será apresentado um balanço geral dessa energia utilizada no Brasil e na União Europeia.

Pela manhã, no painel de energia solar no Brasil, serão abordadas as estratégias adotadas pelo Brasil para fomento a essa fonte, as potencialidades para a energia solar fotovoltaica e os sistemas de aquecimento solar de água no País. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), há vários projetos, em curso ou em operação, para o aproveitamento da energia solar no Brasil, em espacial por meio de sistemas fotovoltaicos de geração de eletricidade, com o objetivo de atender comunidades isoladas da rede de energia elétrica e o desenvolvimento regional.

Os sistemas de aquecimento solar de água possuem papel estratégico para a eficiência do sistema elétrico. Segundo a diretora do Departamento de Licenciamento e Avaliação Ambiental da SMCQ, Ana Lucia Dolabella, eles contribuem para a diminuição da demanda por energia nos chamados horários de pico e, com consequência, reduzem a necessidade de novos investimentos em infraestrutura para geração de energia elétrica.

A energia eólica será discutida no painel inicial da parte da tarde. O objetivo é discutir, entre outras coisas, como as turbinas eólicas transferem a carga de vento sobre uma força motriz, que é utilizado para mover geradores. Atualmente, o Brasil tem 1.123 MW de capacidade instalada de energia eólica em 57 parques eólicos, distribuídos por nove estados do País.

A última sessão do seminário tratará das fontes de energia a partir da biomassa. O Brasil é um dos poucos países com capacidade de ampliar suas alternativas energéticas, por seu vasto território e recursos naturais. “A biomassa tem uma participação importante no Balanço Energético Nacional do Brasil”, ressalta José Manuel Cabral.

Um dos focos será o etanol da cana-de-açúcar, que tem colocado o País em destaque no cenário mundial. O biodiesel também apresenta importância no nível nacional, mas ainda são necessários mais estudos e pesquisas para colocar esse conhecimento em prática. Durante a sessão, serão realizadas palestras sobre a produção de biocombustível no Brasil, a análise do ciclo de vida da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar e o potencial de geração de energia e insumos energéticos a partir de resíduos.

Fontes: CenárioMT

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Tecnologia pode levar consumo consciente de energia a Búzios, no Rio

O projeto Cidade Inteligente Búzios, incluído entre os dez mais relevantes em infraestrutura urbana de todo o mundo em relatório elaborado por uma empresa de consultoria internacional, está sendo desenvolvido neste município da Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, pela Endesa Brasil, uma holding (união de empresas) que atua nas áreas de distribuição, geração, conversão e transmissão de energia no país.

O projeto abrange investimentos de R$ 35 milhões no período que vai deste ano a 2015 e tem a meta de tornar Búzios a primeira cidade da América Latina em consumo eficiente de energia.

O diretor de Relações Institucionais da Endesa Brasil, André Moragas, disse que a iniciativa prevê a introdução gradual em Búzios de novas tecnologias e inovações relacionadas à rede elétrica que possam trazer benefícios diretos para o consumidor. Para tanto, já começaram a ser feitos testes com tecnologias conhecidas e com outras que estão chegando ao Brasil

Um exemplo é um medidor digital de energia, instalado em caráter experimental em 200 casas do município, que permite não só a medição normal da energia consumida, mas que o morador saiba que cômodo está gastando mais energia e a que horas isso ocorre. “Isso, no futuro, permitirá que haja no futuro descontos diferenciados, como ocorre hoje com a telefonia. Dependendo da hora em que a energia é usada, o preço pode cair, pode haver descontos por horário.”

Moragas informou que esse medidor faz também transações comerciais com a companhia de energia. Se o usuário instalar, por exemplo, um painel solar em sua casa, poderá gerar energia para consumo próprio e ainda revender o excedente à concessionária. Caso a experiência tenha resultado positivo, o uso do medidor poderá se transformar em uma prática de mercado.

O projeto prevê também a troca de grande parte do parque de iluminação pública de Búzios por lâmpadas de LED, que são 80% mais econômicas do que as tradicionais e até 20 vezes mais resistentes, além de ter manutenção mais baixa, acrescentou Moragas. “Já estamos testando eficiência e redução do consumo. Com isso, haverá redução do custo de energia no município e o que for economizado poderá ser usado em outras obras.”

Também fazem parte do projeto a troca de lixo reciclável por desconto na conta de energia; experiências de geração distribuída para abastecimento de uma casa, sem ligação com a rede elétrica, como paredes solares; e, na área da mobilidade urbana, o incentivo ao uso de bicicletas e carros elétricos, que serão testados nas frotas hoteleira e de táxis, com o objetivo de reduzir a poluição sonora e a emissão de gases de efeito estufa.

De acordo com Moragas, a meta é usar Búzios como um grande laboratório, no qual serão testadas diversas tecnologias, e saber como elas vão infuenciar no dia a dia da população, para que sejam depois ampliadas e massificadas para o resto da sociedade. A Endesa Brasil pretende estender o teste básico, em Búzios, a até 500 clientes. Depois, se os resultados forem positivos, o projeto será estendido a todo o município até o fim do projeto, em 2015.

O projeto será acompanhado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como uma base para uma eventual mudança na legislação. “Se for bem sucedido, esperamos ter uma base legal para instalar isso de forma massiva para todos os clientes e, no futuro, instalar medidores desse tipo em todos os municípios", disse Moragas.

Fontes: D24am.com

Chip pode aproveitar luz, calor e vibração para gerar energia

Pesquisadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology) deram um passo significativo em direção a sistemas de bateria livre de armazenamento. Eles desenvolveram um chip que poderá aproveitar a luz natural, o calor e a vibração do ambiente para produzir energia.

Isso significa que o dispositivo pode derivar energia a partir de uma multiplicidade de fontes de uma só vez. Se uma fonte não estiver disponível, as outras tomam o seu lugar, dando ao dispositivo uma fonte quase constante de energia.

Ao contrário das baterias tradicionais, o chip utiliza arquitetura de duplo caminho, o que supera um dispositivo de armazenamento e alimenta o dispositivo diretamente. Isso torna a bateria mais eficiente, segundo o professor do MIT, Anantha Chandrakasan, responsável pelo estudo.

A tecnologia não só é mais eficiente, como também mais ecologicamente correta, já que promete reduzir significamente o descarte inadequado de pilhas. Ela também poderia ser aplicada em dispositivos biomédicos, sensores ambientais e medidores em locais remotos.

O chefe de tecnologia para soluções de fornecimento de energia da Texas Instruments, David Freeman, mesmo não estando envolvido no trabalho falou sobre a importância da nova tecnologia. "O trabalho que está sendo feito no MIT é muito importante para permitir a colheita de energia em vários ambientes. A capacidade de extrair energia a partir de várias fontes diferentes ajuda a maximizar o poder para mais funcionalidades a partir de sistemas, como nos sensores sem fio. Os benefícios de operar a partir de múltiplas fontes, não só incluem a maximização do pico de energia, mas também ajuda quando apenas uma fonte de energia pode estar disponível", explicou Freeman no portal do MIT.

O trabalho foi financiado pela Interconnect Focus Center, um programa combinado pela a Defense Advanced Research Projects Agency e as empresas nas indústrias de defesa e de semicondutores.

O estudante de doutorado Saurav Bandyopadhyay e o professor Anantha Chandrakasan são os responsáveis pela pesquisa. Foto: Justin Knight/MIT Energy Initiative/ DivulgaçãoO Estudante de doutorado Saurav Bandyopadhyay e o professor Anantha Chandrakasan são os responsáveis pela pesquisa.

Fontes: Terra

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Energia solar é viável em Mato Grosso

Mato Grosso está entre os 13 estados brasileiros onde o custo da energia solar é economicamente viável quando comparado com o valor da conta de luz atual, segundo pesquisa da PSR Consultoria. Em todo país, a produção residencial de energia solar é vantajosa para 15% dos domicílios, segundo estudo recente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Apesar das condições climáticas favoráveis para utilização dessa matriz energética para geração de eletricidade em residências, ainda não há projetos implantados ou em execução em Mato Grosso, conforme informações de analistas do setor. Utilização da energia solar tem se limitado ao aquecimento de água em moradias e empresas. Principal inibidor para geração de eletricidade é o alto custo da tecnologia disponível, que envolve 3 itens principais: os painéis fotovoltaicos, o inversor de linha e as estruturas mecânicas de sustentação, equipamentos elétricos auxiliares, cabos e conexões e a engenharia necessária para adequação dos componentes dos sistema (“Balance of the System -BoS”).

Além disso, devem ser considerados os custos de instalação e montagem. Especialista em energia pela Universidade de São Paulo (USP), Dorival Gonçalves, acredita que a utilização da energia solar em residências compensa para as famílias que consomem mais, enquadradas na classe média e com vários equipamentos eletrônicos. Lembra que o custo da energia elétrica brasileira é o 3º mais caro do planeta e em Mato Grosso está acima da média nacional (R$ 0,38 kWh), ficando em torno de R$ 0,41 kWh. Na Alemanha, onde a geração de energia elétrica a partir da luz solar é comum, o preço médio equivale a R$ 0,32 kWh.

Pelos cálculos realizados pela EPE, o custo da geração residencial pelo sistema fotovoltaico a partir de um equipamento de pequena potência (avaliado em R$ 38 mil), equivale a R$ 602 por megawatt-hora (MWh), sendo portanto mais barato do que a energia ofertada por 10 das mais de 60 distribuidoras de energia do país e equiparado ao custo da energia em Mato Grosso. Comparativamente com o custo da energia contratada pelos leilões realizados entre 2004 e 2011, o valor médio do MWh da energia solar é quase 4 vezes mais caro, observa o consultor da Marvan Projetos, Angelo Morella. Porém, considerando os custos de transmissão, distribuição e impostos incidentes para o consumo residencial da energia hidrelétrica, os valores ficam equiparados.

Regulamentação - Para regular o consumo residencial da eletricidade gerada por fonte solar, é preciso disponibilizar o excedente para rede, convertendo-o em créditos. Isso porque à noite ou em períodos do ano em que a geração de energia solar é menor, o consumidor poderá buscar a energia da rede, gastando os créditos. Em Mato Grosso, a concessionária de energia local (Cemat) ainda não mantém esse tipo de relação comercial. Segundo a assessoria de imprensa da empresa, o processo pode ser iniciado a partir de 2013, após a regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Agência Nacional vem efetuando ações e estudando propostas para redução de barreiras de acesso aos sistemas de distribuição por parte dos pequenos geradores. Em abril deste ano, por exemplo, foi publicada a Resolução Normativa 482, estabelecendo condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuídas aos sistemas distribuição de energia elétrica. Objetivo é reduzir as barreiras regulatórias existentes para conexão de geração de pequeno porte disponível na rede de distribuição, a partir de fontes de energia incentivadas, bem como introduzir o sistema de compensação de energia elétrica.

Simultaneamente, foi publicada a Resolução Normativa 481, estipulando desconto de 80% para os empreendimentos de fonte solar com potência injetada nos sistemas de transmissão ou distribuição menor ou igual a 30 megawatts (MW), que entrarem em operação comercial até o dia 31 de dezembro de 2012. Com essas medidas, os consumidores que instalarem painéis solares nas residências ou condomínios poderão reduzir a quantidade de energia comprada das distribuidoras ou vender o excedente às concessionárias.

Por enquanto, os projetos de geração de energia por fonte solar em Mato Grosso têm sido apoiados pela concessionária local a partir da distribuição de placas fotovoltaicas para pequenos produtores rurais e, mais recentemente, para indígenas das aldeias da etnia Cinta Larga (Pacovinha, Areião e Cachoeirinha) na região de Aripuanã e Juína, da etnia Rikbaktsa (São Vicente e Castanhal) em Juara.

Projeto realizado com recursos do programa Luz para Todos beneficiou aproximadamente 100 indígenas. Opção é considerada viável por envolver pequenas comunidades de localidades distantes das linhas do Sistema Interligado Nacional (SIN), explica o engenheiro civil Rubens Corrêa da Costa. “Isso porque o custo de transmissão para atender essas localidades com uma pequena demanda não compensa”.

Futuro - Na avaliação do vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Alexandre Furlan, a tendência é que o uso da energia solar para geração de eletricidade evolua nos próximos anos no Brasil. “Ainda não é viável para as empresas, porque os equipamentos são caros e falta desenvolvimento tecnológico, mas para uso em propriedades ou residências pode compensar”. De acordo com o presidente da EPE, Maurício Tolmasquim, esse mercado potencial pode crescer com incentivos para financiamento dos painéis e conversores fotovoltaicos e com isenção fiscal para produção desses equipamentos no país, além de redução do Imposto de Renda para os consumidores.

Países como Japão, Alemanha, Holanda, EUA, Espanha, Inglaterra e Itália têm encontrado na geração de energia elétrica a partir da solar uma saída para diminuir a dependência de fontes tradicionais em esgotamento, como é o caso do petróleo. Na Alemanha, em 2008 a indústria de energia solar empregava 170 mil pessoas e a previsão é envolver 510 mil trabalhadores nos próximos anos.

Fontes: Top News

Investimento em energia limpa precisa dobrar, diz AIE

Os investimentos em energias limpas deverão ser duplicados até 2020, para limitar a 2°C o aumento da temperatura global a longo prazo. A conclusão está no livro Perspectivas Tecnológicas de Energia 2012: Caminhos para um Sistema de Energia Limpa, elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE), apresentado nesta segunda-feira pelo vice-diretor executivo da entidade, Richard Jones, no Ministério de Minas e Energia, em Brasília.

O livro mostra que é possível uma transformação tecnológica do sistema energético para permitir a redução da dependência em relação a combustíveis fósseis, além de aumentar a eficiência energética e reduzir as emissões nos setores da indústria, do transporte e da construção.

Uma das recomendações da AIE para os ministros de Energia para reduzir a emissão de carbono é diminuir progressivamente os subsídios aos combustíveis fósseis. A agência também recomenda a aceleração em inovação energética, com o desenvolvimento de planos estratégicos e a melhoria da eficiência energética em todos os setores de consumo de energia.

A publicação cita como exemplo as energias solar e eólica, que tiveram crescimento global médio de 42% e 27%, respectivamente, por ano, nos últimos dez anos. "Graças ao apoio de políticas estratégicas e sustentáveis nas fases iniciais de investigação, desenvolvimento, demonstração e aplicação no mercado, essas tecnologias atingiram uma fase em que o setor privado pode ter um maior papel, permitindo a diminuição progressiva dos subsídios".

Jones também informou que a AIE está trabalhando com o Brasil e outros parceiros na elaboração de um roteiro para o desenvolvimento sustentável de hidreletricidade, que deve estar pronto nos próximos meses.

O secretário adjunto de Planejamento e Desenvolvimento Energético do ministério, Moacir Bertol, destacou a situação favorável da matriz energética brasileira, que tem participação de 45% de energias renováveis, sendo que a média mundial é de cerca de 13%. Segundo ele, a perspectiva do governo para 2020 é que a participação evolua para 47,7%, mantendo os altos níveis de uso de hidreletricidade e, simultaneamente, com o crescimento de biomassa, biocombustíveis e energia eólica.

Fontes: Terra

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Energia solar chegará aos brasileiros em 2013

Finalmente, a eletricidade gerada a partir da energia solar irá para a rede de distribuição e chegará aos consumidores brasileiros.

A interligação das chamadas "fazendas solares" ocorrerá a partir do início de 2013.

São 18 projetos de usinas solares aprovados para várias concessionárias de energia, totalizando 25 megawatts (MW) de potência instalada.

Para se ter uma ideia do atraso da energia solar no Brasil, a energia eólica já conta com 1.479 MW instalados.

Em uma única liberação de recursos para energia eólica, feita pelo BNDES há poucos dias, está prevista a instalação de 150 MW adicionais, seis vezes mais do que todo o "arranque" inicial dado à energia solar.

Apesar disso, o momento é de entusiasmo.

"Este é um marco para a energia fotovoltaica no Brasil porque é o momento de introdução dessa tecnologia no País. Sempre falávamos no futuro e agora o futuro chegou," diz professor Ennio Peres da Silva, da Unicamp.

A capacidade instalada de energia solar no Brasil é de 6 MW, provenientes de unidades criadas no Programa de Desenvolvimento Energético dos Estados e Municípios, para atender comunidades isoladas. Essa capacidade agora será ampliada mais de quatro vezes.

Os pesquisadores da Unicamp estão trabalhando em associação com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), para a instalação de uma unidade híbrida, que irá explorar energia eólica e solar, interligando ambas à rede de distribuição.

Serão dois aerogeradores com 5 kW de potência, instalados na Usina de Tanquinho, em Campinas. Tanquinho também terá painéis solares para a geração 1 MW, enquanto a Unicamp receberá quatro conjuntos de painéis solares de diferentes tecnologias, de 15 quilowatts (kW) cada um.

Serão testados painéis solares e aerogeradores nacionais e importados.

A Unicamp já atuava como parceira da CPFL no desenvolvimento de tecnologias de geração solar/eólica, em um projeto de 20 kW.

Com a instalação das novas usinas, os pesquisadores da Unicamp vão iniciar estudos de medições, simulações e também de aprimoramento das tecnologias já desenvolvidas para a conexão à rede elétrica da energia fotovoltaica gerada.

"A melhoria do controle dos conversores eletrônicos de potência é uma delas," diz Ruppert Filho, orientador da pesquisa que resultou no primeiro conversor trifásico para a conexão de painéis solares à rede elétrica.

A equipe da Unicamp também já desenvolveu um microinversor, interligação à rede das futuras "usinas solares domésticas".

Segundo o professor Ennio, a integração da energia fotovoltaica com a eólica na rede é uma novidade. "Precisamos estudar como compatibilizar essas energias, aliando-as aos dados do clima, para evitar perdas. Há uma série de condições que precisam ser atendidas".

Fontes: Inovação Tecnológica 

Energia gerada com eucalipto abastecerá petroquímica da Dow no Brasil

Uma fábrica de geração de energia e de vapor industrial a partir de lascas de eucalipto abastecerá o principal complexo petroquímico da multinacional Dow no Brasil, que atualmente utiliza gás natural como fonte, informaram nesta segunda-feira fontes oficiais.

A usina elétrica de fonte renovável será construída pela ERB Aratinga S.A. em Candeias(BA) onde está situado o complexo industrial da Dow, graças a um empréstimo autorizado hoje pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O crédito de R$ 210,7 milhões ajudará a financiar a construção da unidade de cogeração de vapor e de energia elétrica da ERB Aratinga, informou hoje o BNDES em comunicado.

A planta, com capacidade para gerar 125,7 megawatts de energia elétrica e 1.148 toneladas de vapor industrial ao ano, é a primeira de biomassa financiada pelo BNDES.

A ERB Aratinga, subsidiária da ERB Energias Renováveis do Brasil, empresa referência na geração de energia de biomassa, considera que a futura planta é a primeira ao mundo que utilizará resíduos vegetais para abastecer uma empresa petroquímica.

A contratante da Dow investirá um total de R$ 265 milhões no projeto, que inclui a planta de geração elétrica e uma área de 9,7 mil hectares na qual serão produzidas 227,8 mil toneladas de eucalipto ao ano.

"O conceito do projeto envolve, além do benefício ambiental pela substituição do gás natural por biomassa, o fortalecimento da cadeia produtiva de biomassa como combustível para a geração de energia", segundo o comunicado do BNDES.

De acordo com o governo da Bahia, a substituição do combustível reduzirá em cerca de 180 mil toneladas ao ano as emissões de dióxido de carbono da Dow em Candeias, na região metropolitana de Salvador.

De acordo com o banco do fomento, o projeto também gerará benefícios econômicos para a Dow, que reduzirá seus custos com o uso de vapor industrial e a consequente eliminação do risco causado pela volatilidade do preço do gás natural.

A ERB Aratinga optou pela lasca do eucalipto como fonte de biomassa em lugar do pinheiro e do bagaço de cana-de-açúcar como fonte vegetal com fornecimento garantido nessa região da Bahia, que conta com 130 mil hectares de florestas de eucalipto destinados à produção de celulose.

O Complexo Industrial de Aratu, o principal da Dow no Brasil, conta com duas fábricas e com a única unidade da empresa na América Latina que produz óxido de propileno e propilenoglicol.

Fontes: Terra