quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Brasil vai continuar com uma das energias mais caras do mundo

O brasileiro paga uma das energias mais caras do mundo. O próprio governo reconhece isso, na decisão da presidente Dilma Rousseff, anunciada esta semana, de reduzir o valor da conta de luz. A Medida Provisória baixando a tarifa de energia chegou ontem ao Congresso Nacional. Nos próximos cinco dias úteis, receberá emendas de deputados e senadores.

Segundo o governo, a conta da luz elétrica vai cair 16%, para o consumidor residencial, e até 28%, para o industrial. A queda na tarifa será possível graças à desoneração por meio de uma alteração nos impostos federais, mas o ICMS (Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que é estatal, e a geração de energia são outros fatores que pesam no preço da energia.

O corte na tarifa da energia consumida pela indústria não é o suficiente, contudo, para colocar a indústria brasileira no nível de custo energético médio mundial. Conforme os especialistas, o custo da energia no País precisaria cair ao menos 35% para que o fornecimento de eletricidade tivesse custo similar aos pagos pelas indústrias do Reino Unido, Japão ou Alemanha.

Um estudo da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), intitulado "Quanto Custa a Energia Elétrica para a Indústria no Brasil?" e divulgado na Rio+20, em junho, mostra que o Brasil perde competitividade com as indústrias de outras países devido ao alto custo da energia. Para alcançar as demais nações do Brics, seria necessária uma redução superior a 55%.

O estudo aponta que o peso dos tributos e encargos é relevante, porém não é a única causa do custo elevado. O custo de geração, transmissão e distribuição (GTD) também faz com que fiquemos aquém dos níveis mais competitivos. O custo de geração corresponde a mais de 90% do GTD. Com isso, o preço da energia no País atinge R$ 329 por MWh para o setor industrial, enquanto a média mundial situa-se em R$ 215, conforme o estudo. Hoje, o custo médio nas outras três potência do Brics (Rússia, Índia e China) é de R$ 140 por MWh.

A redução na conta de luz só vai entrar em vigor a partir de janeiro, daí porque o lançamento do pacote, agora, foi tomado também como uma ação eleitoral para favorecer candidatos alinhados politicamente com o governo. A baixa no custo da energia depende, ainda, da renegociação dos contratos com as concessionárias de energia.

Fontes: 180graus

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