quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

País precisa de alternativa para energia, diz pesquisador

Com a redução no volume de chuva causada pelas mudanças climáticas é preciso investir em fontes alternativas para complementar as hidrelétricas brasileiras. Caso isso não seja feito e os reservatórios das hidrelétricas continuem baixando, "a situação no setor elétrico brasileiro pode ficar complicada", avalia o pesquisador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Guilherme de Azevedo Dantas.

Para Dantas, a polêmica Medida Provisória n.º 579, que trata da prorrogação das concessões do setor elétrico e está atualmente no centro das discussões, é importante, mas já não deve mais ser tratada como o principal tema do setor. O especialista explica que a medida trata de ativos já existentes e é hora de a agenda energética do País girar em torno da expansão do setor. "Chega da MP n.º 579. Vamos olhar para frente."

Segundo o pesquisador, por questões ambientais, dificilmente serão feitas novas grandes hidrelétricas com reservatórios no norte do País - região com grande potencial para o modelo. Além disso, ele explica que a intenção do governo agora é investir nas hidrelétricas de fio d'água, que dependem mais do volume de chuvas e não têm capacidade de armazenamento. Tudo isso em meio a um contexto de crescimento da demanda energética no País.

Sendo assim, Dantas vê o como principal discussão do setor o estabelecimento de outras fontes energéticas que possam, além de ampliar a oferta energética do País, complementar as hidrelétricas em períodos de seca. "É preciso pensar bem. Quando temos de tudo a chance de fazermos besteira é grande."

Dantas afirma que para complementar as hidrelétricas a outra fonte deve ser técnica e economicamente apta. Ele considera que as usinas térmicas não são adequadas para operar na base do sistema, como "back up" e outras opções têm de ser discutidas.

Entre as opções que deveriam ser estudadas na opinião de Dantas estão as térmicas movidas a gás natural. Para ele, esse tipo de geração de energia é tecnicamente viável mas, para que seja possível do ponto de vista econômico, é preciso fazer alguns ajustes comerciais que permitam o consumo do gás apenas nos períodos de seca.

Outro tipo de usina que pode funcionar é a eólica. Novamente, o problema é o custo. Principalmente de transmissão, pois atualmente constroem-se usinas no nordeste quando a demanda por energia está no sul do País. Além disso, ele cita a importância do desenvolvimento de uma indústria nacional. "Tudo o que utilizamos aqui é importado. Não necessariamente é a alternativa mais adequada para as especificidades brasileiras", afirma Dantas.

Já no caso da bioeletricidade, a dificuldade é outra. O custo é menor do que o de construir parques eólicos, mas Dantas diz que o setor está estagnado, sem pesquisa, investimento ou políticas.

Fontes: Terra

Nenhum comentário:

Postar um comentário