quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Estudo apresenta material que capta energia de vapor d'água


Cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) inventaram um novo material que gera energia a partir do vapor d’água. O artigo com o estudo foi publicado nesta quinta-feira (10) pela revista “Science”.

O sistema funciona da seguinte forma: ao absorver pequenas quantidades de água, um filtro de polímero se enrola repetidas vezes para cima e para baixo. O movimento contínuo é transformado em energia suficiente para abastecer dispositivos micro e nanoeletrônicos, como sensores ambientais.

As vantagens da nova tecnologia são muitas, segundo os pesquisadores. “Um sensor alimentado por bateria precisa ser substituído periodicamente. Mas, se você tem este dispositivo, pode captar a energia do ambiente, de modo que não seja necessário substituí-lo muitas vezes", diz Mingming Ma, pós-doutorando do Instituto David H. Koch do MIT, e principal autor do artigo.

As potenciais aplicações do novo material incluem, em grande escala, geradores movidos a vapor d’água, e geradores menores para ligar eletrônicos vestíveis. "Ele não precisa de muita água", diz Ma. "Uma quantidade muito pequena de umidade seria suficiente".

O novo filme consiste em uma rede interligada por dois polímeros diferentes. Um deles forma uma matriz dura, mas flexível, que proporciona um suporte estrutural. O outro, é um gel macio que incha quando absorve água.

Os esforços anteriores para fazer filmes sensíveis à água utilizaram apenas um dos polímeros, o que gerava uma resposta muito mais fraca ao estímulo. "Ao incorporar os dois diferentes tipos de polímeros, gera-se um deslocamento muito maior, assim como uma força maior," diz Liang Guo, um dos autores do estudo.

Quando o filme de 20 milionésimos de metro de espessura é colocado sobre uma superfície que contém uma pequena quantidade de umidade, a camada inferior absorve a água evaporada, obrigando a película a curvar-se para fora da superfície. Uma vez que a parte inferior da película é exposta ao ar, ela rapidamente libera a umidade, saltando para frente, e começa a enrolar-se de novo. Uma vez que este ciclo é repetido, o movimento contínuo converte a energia química em energia mecânica.

Esses filmes podem agir tanto como atuadores (um tipo de motor) ou geradores. Como atuador, o material pode ser bastante potente. O estudo demonstra que uma película de 25 miligramas pode levantar uma carga de lâminas de vidro com 380 vezes o seu próprio peso, ou pode ainda transportar uma carga de fios de prata com 10 vezes o seu próprio peso, trabalhando como uma espécie de “minitrator” movido a água.

Geração de energia elétrica
A energia mecânica gerada pelo material também pode ser convertida em eletricidade, que pode ser armazenada em condensadores capazes de ligar dispositivos microeletrônicos de baixíssima potência, tais como sensores de temperatura e umidade.

Para gerar eletricidade em escala maior, o filme precisa ser colocado em cima de um lago ou rio. Ele ainda pode ser preso à roupa, para que a mera evaporação de suor alimente dispositivos como sensores de monitoração fisiológica. "Você pode estar correndo e gerando energia", diz Liang Guo.

Os pesquisadores agora trabalham para melhorar a eficiência da conversão de energia mecânica em energia elétrica, o que pode permitir que filmes menores alimentem dispositivos maiores.

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