O início de 2013 tem ao menos um ponto em comum com todos os outros anos: a espera por chuva. São as águas que caírem durante o próximos meses - e principalmente nas próximas semanas - que vão definir a situação do mercado de energia no Brasil. Tempos de seca podem significar turbulência econômica.
A balança comercial de 2012 registrou seu pior resultado em 10 anos, com superávit de US$ 19,438 bilhões. O número é o mais baixo desde 2002, quando o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) anunciou saldo positivo de US$ 13,1 bilhões. Para este ano, a previsão também não é animadora: por conta da alta demanda de energia elétrica e das nem sempre favoráveis condições climáticas, o País deve acabar importando petróleo e derivados e freando concessões à Argentina. As medidas podem abalar ainda mais a balança, segundo o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB), José Augusto de Castro. "O mercado de energia está mudando, e essas mudanças vão aparecer em números", diz.
A falta de chuvas é um dos fatores que mais preocupam especialistas. Segundo o presidente da Comissão de Pós-Graduação do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP), Edmilson Moutinho dos Santos, a previsão de um verão menos seco tem trazido alívio a respeito da situação dos reservatórios das hidrelétricas. Ainda assim, para ele, previsões não são suficientes. "Em 2001, as chuvas não vieram e o racionamento tornou-se inevitável, a única solução politicamente aceitável", lembra. Baixar os preços de energia em 20% é outra preocupação. "Mesmo com a capacidade de produção precária, o governo insiste em materializar uma promessa inadequada de diminuir preços. O crescimento dos consumos de energia já está assustador. Energia mais barata não vai melhorar as coisas", diz. Para o professor, o grande problema é que, a curto prazo, não há precaução caso as chuvas não cheguem em volume suficiente. "No médio e longo prazo, a política de reduzir os preços da energia é muito pobre e não induzirá o caminho rumo a tecnologias e comportamentos mais eficientes", acrescenta.
Buscar competitividade na indústria por meio da diminuição dos custos de energia é, para Santos, uma política fraca. "A busca desenfreada por energia barata conduzirá a perdas de qualidade do suprimento da energia e descobriremos que isso sim afetará dramaticamente a competitividade da nação", diz. Moutinho explica que a diminuição de 20% do custo da energia leva a uma redução média de 0,4% nos custos de produção. A curto prazo, a solução seria recorrer às estatais Petrobras e Eletrobras para que, caso as chuvas não viessem em quantidade suficiente para suprir a demanda do consumidor, fossem feitos investimentos emergenciais para evitar racionamento.
Já as medidas de médio e longo prazo requerem mais esforço. "Se devemos mudar a política macroeconômica rumo aos investimentos, novamente o setor energético pode dar excelente contribuição, pois tem projetos e capacidades tecnológicas e de gestão. Os investimentos da Petrobras e da Eletrobras são muito mais eficientes e efetivos. Descapitalizar essas empresas é, portanto, inaceitável", afirma.
Fontes: TERRA
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