O Brasil é país de destaque na edição de 2013 do "World Energy Outlook (WEO)", publicação anual da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre as perspectivas do mercado mundial do setor.
A escolha do Brasil deve-se não apenas às grandes expectativas depositadas sobre a produção petrolífera no pré-sal, mas também a seus programas de expansão do acesso à eletricidade e, sobretudo, à grande participação de fontes renováveis em sua matriz energética, uma das mais "limpas" do mundo e a mais sustentável entre as grandes economias em desenvolvimento.
O reconhecimento da AIE às virtudes do modelo brasileiro representa importante atualização da postura dos países da OCDE, sobretudo no que se refere ao papel da hidreletricidade e dos biocombustiveis para o desenvolvimento. São aspectos nem sempre foram compreendidos nos países desenvolvidos, onde, em geral, o potencial hídrico já foi utilizado na quase totalidade e onde a discussão sobre o uso da energia se concentra basicamente na questão ambiental. O relatório WEO parece assim reconhecer antigos equívocos de interpretação envolvendo questões como o impacto ambiental das barragens ou a expansão da fronteira agrícola com culturas voltadas para a produção de energia.
A limpeza da matriz energética não é, no entanto, a única característica do modelo brasileiro a influenciar outros países. Em um mundo onde a prosperidade está fortemente atrelada ao consumo energético, a universalização do acesso à energia é um dos maiores desafios dos países em desenvolvimento. O Programa Luz para Todos, do Governo brasileiro, que já beneficiou 15 milhões de pessoas, antes sem acesso à eletricidade, é um dos modelos da Iniciativa "Energia Sustentável para Todos" (SE4All) das Nações Unidas.
Em suma, pode-se dizer que a posição do Brasil na fronteira tecnológica da exploração de petróleo e gás em águas profundas, combinada com seu modelo de desenvolvimento baseado em fontes renováveis e com a experiência exitosa de seus programas de inclusão social em matéria de eletricidade credenciam o País a exercer papel central no cenário global da exploração e uso da energia.
A experiência de Portugal, com importante foco nas renováveis, é em muitos sentidos complementar à brasileira, particularmente no que se refere a políticas e tecnologias de eficiência energética e de incentivo à geração eólica e fotovoltaica. Esta convergência enseja, portanto, grande potencial para a cooperação e para os investimentos nos dois sentidos, cabendo aos governos, empresários e investidores dos dois lados do Atlântico a realização deste potencial ainda parcialmente inexplorado.
Fontes: Economico
Nenhum comentário:
Postar um comentário